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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A barca do inferno neoliberal

A barca do inferno é um mito antigo. Nele, um barqueiro conduz os passageiros até o destino cobrando duas moedas pela mórbida travessia. Por isto, muitas civilizações, nas cerimônias fúnebres, queimavam seus mortos com as moedas nos olhos. 

Este mito muito poderoso, para mim, representa a perversidade do projeto neoliberal. Talvez as moedas do barqueiro possam referenciar o dinheiro, cada vez mais concentrado na mão de poucos, corrompendo consciências e tapando os olhos dos condenados. Afinal, nunca se concentrou tanta renda na mão de tão poucas pessoas no mundo. Assim, os estados nacionais se tornaram reféns do sistema, tendo sua soberania minada a cada nova investida neoliberal.

O mercado de capitais se transformou em uma jogatina global, onde as novas tecnologias permitiram a quebra do tempo e do espaço, numa banca de apostas que não para nunca de girar a roleta. A partida é jogada “com os dados viciados”, onde os apostadores são juízes do jogo e ao mesmo tempo legisladores das regras, podendo usar todo o poder do capital, inclusive bélico, para mudá-las de acordo com as conveniências. 

Um poder muito grande, que vai desde os braços políticos ideológicos financiados pela fina flor do capital, passando pelos legisladores, desembargadores, juízes, governantes, militares e militantes neoliberais, infiltrados na burocracia dos estados nacionais.

Tendo seus interesses defendidos por toda uma estrutura de alienação e controle exercida por variadas instituições burguesas, especialmente, os veículos de comunicação de massa, a lógica neoliberal foi ganhando espaço.

A mídia atua como ponta de lança do processo de desempoderamento dos governos nacionais, com a tática da critica a ineficiência e corrupção do estado. Os ataques têm o propósito de convencer a opinião pública que a receita de salvação da economia global era o mercado desregulamentado, realizando as tarefas que o dito estado incompetente não dava conta. Alinhando a este triste drama, embutiam as mensagens da prevalência dos interesses individuais em contra-peso as demandas coletivas. O individualismo versus sociabilidade.

Esta lógica afundou o mundo em uma recessão brutal, com a vida no planeta sendo sistematicamente ameaçada, seja pela fome, miséria, doenças epidêmicas, violência, guerras, poluição, degradação, etc. Uma bomba relógio armada, composta por miseráveis e suas crescentes frustrações.

Convenceram muitos trabalhadores que a perda dos seus empregos, dos seus direitos e suas dignidades era a receita pra salvar o mundo do pior. Assim, o capital internacional, através da precarização do trabalho e dizimação dos direitos sociais dos trabalhadores, garantiu o ganha-pão dos mega investidores, que não precisam ganhar mais nada e muito menos sentem falta de pão, diferentemente dos povos cada vez mais agressivamente explorados.

Sim, pois para o lucro de uns poucos, se faz necessário à exploração de muitos. E neste contexto, a democracia tão defendida invariavelmente por discursos inflamados e teses de sociologia convenientemente renegadas ao esquecimento, acabou descendo por ralo abaixo.

Isto tudo aconteceu devido a desmedida ganância de alguns senhores e pelas escolhas equivocadas dos governantes do mundo que se comprometeram com um projeto, que no fritar dos ovos, negava e deslegitimava o espaço da política como mediação dos interesses de determinada sociedade e assim, assistiram impassíveis a perda da autonomia das nações por eles dirigidas.

Isto, quando os políticos dirigentes em questão têm compromissos com seu povo e não com uma parcela da sociedade, muito pequena e alinhada aos interesses do grande capital especulativo internacional. Neste caso, a passividade é engodo, pois a tarefa que a burguesia espera dos seus quadros políticos é o de facilitação dos interesses do grande capital frente ao sistêmico e programado desmonte do estado de bem estar social, ou qualquer tentativa de implementá-lo.

Esta passividade não foi, contudo refletida nos movimentos populares organizados e povo desorganizado que entendeu o tamanho da encrenca que queriam lhes meter, principalmente no dito, terceiro mundo.  O povo foi para a rua lutar para que seus patrimônios nacionais não fossem deliberadamente entregues aos interesses diversos aos da população do país. E o pior era que a deliberação era realizada sem o necessário debate público com os diretamente envolvidos. Mas iam dizer o que? Viemos aqui roubar suas riquezas?

Assim aconteceu na questão da privatização das águas na Bolívia, na luta contra a privatização de estatais no Brasil, com suas vitórias e derrotas, nos panelaços argentinos lutando contra a destruição das empresas e da economia nacional.

Apesar das intenções desta elite reacionária ficarem semi- ocultas, o povo lutou para que não se efetivasse  completamente, o sórdido plano de subalternidade, operado pelos que detinham a perspectiva de representação popular, nos sistêmicos rearranjos do capitalismo em sua fase mais perversa e terminal.  


A pressão popular e o único caminho de contraponto. Unica alternativa de desarmar esta bomba relógio, que coloca em risco todo planeta. Por tudo isto, vamos pras ruas e para as redes, pois a luta continua companheiros, e com certeza nos não queremos ou vamos subir neste barco.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Jornada de Formação do PT - com o pé esquerdo, a caminhada continua




Quem teve a oportunidade de participar da Jornada de Formação do PT-MG no último fim de semana na Escola 7 de Outubro, com certeza saiu do evento com a impressão que nosso processo começou com o pé esquerdo.

Calma, não estou falando isto por que as coisas deram errado. Na verdade, tudo foi além das mais otimistas expectativas. Para começar, pela primeira vez, nossa candidata Dilma apareceu na frente da pesquisa para presidente, coincidentemente divulgada no dia do inicio dos trabalhos. Outro fator foi a expressiva participação 230 companheiros entre dirigentes, lideranças e militantes de 75 cidades de diversas regiões do Estado. Também foi realizado com sucesso a noite cultural, onde a Juventude do PT e militantes da cultura protagonizaram, à moda antiga, a organização do evento, com direito ao projeto "Violão de mão-em-mão, integrando e socializando filiados das mais diversas correntes.

Isto sem falar no lançamento do projeto "História Petista" que propõe, através da gravação em vídeo de depoimentos dos nossos militantes, o conhecimento, o reconhecimento, a valorização, o registro, a conservação e a divulgação das histórias, coletivas e individuais de construção e luta do PT, respeitando a diversidade de discursos, a memória e a oralidade e reconhecendo os militantes petistas como protagonistas da história partidária.

Com o eixo central a identidade petista, a Jornada de Formação começou com uma dinâmica muito interessante, onde era disponibilizada a LINHA DO TEMPO, com marcos históricos do Partido dos Trabalhadores. As referencias iam desde o golpe militar, a luta pela redemocratização, passando pelas greves operarias, fundação do PT, da CUT, MST e FSM, assembleia constituinte, congressos, encontros partidários, eleições municipais, estaduais, até nosso caminhada para a vitoria eleitoral e os avanços do governo Lula. Na proposta, os militantes deveriam identificar quando o PT entrou na sua vida, e quando ele entrou na história do partido. Isto por si só já geraria uma vasta discussão, afinal, será que eu só me torno petista quando assino minha ficha de filiação? Ou por me identificar com as bandeiras de lutas defendidas?

Nós do coletivo de formação, optamos por utilizar o referencial formal, solicitando como marco o ano da filiação. Apesar disto, tivemos companheiros que optaram que sua entrada no PT foi anterior a própria fundação do partido. Teve gente que colou o adesivo vermelho, usado como simbolo, no ano de 64, muitos em anos anteriores à 1980, onde oficialmente fundamos nossa legenda. Assim os participantes puderam visualmente, identificar "quanta agua passou debaixo da ponte" e o quanto nosso partido cresceu, forjando na luta, seus militantes. Posteriormente, os militantes foram convidados à contribuir com suas impressões, relatando fatos e histórias pessoais,

A metodologia também abordou o balanço do governo Lula em comparação com o de FHC e elementos para um diagnóstico econômico, social e administrativo de Minas Gerais visando a eleição para o governo do Estado. As palestras da Jornada foram ministradas por Selma Rocha, da Fundação Perseu Abramo, José Prata Araújo, economista e Secretário de Formação do PT/MG, Clarice Goulart, da Juventude do PT e da UEE/MG e Carlos Morato, coordenador da assessoria coletiva do PT na Assembléia Legislativa.

Na perspectiva de planejarmos os desdobramentos, iniciamos o processo de articulação de coletivos regionais de formação. O próximo passo será as etapas municipais/ regionais, onde temos como meta a formação política de 9000 militantes.

Confesso que estava um pouco cético com a Jornada em nosso estado, principalmente pelos recentes processos do PED e prévias no PT de Minas Gerais. Porém, o sentimento que vivenciei, nas plenárias, reuniões de grupo e na noite cultural, foi de entusiasmo, de esperança e de vitória, pois como defende nosso secretario estadual Jose Prata, a Jornada de Formação Politica em Minas Gerais, pode significar, muito mais do que a retomada do processo de discussão ideológica, mas uma virada na página das disputas rumo a unidade partidária, condição primeira para que nosso partido possa implantar também em nosso estado, o projeto que esta mudando nosso país.

Para muito além das superstições, começamos com o pé esquerdo nossa caminhada nesta jornada, pois somente o maior partido da esquerda da América Latina é capaz de reunir um contingente tão significativo de pessoas para, coletivamente discutir o processo de construção do Brasil que queremos, desejamos e merecemos.

VIVA A FORMAÇÃO POLITICA, VIVA O PT

Leonardo Alves
Militante do PT e membro do Coletivo Estadual de Formação
coordenador do Projeto "História Petista"